Vaticano contra Washington: Papa Leão XIV defende soberania venezuelana após prisão de Maduro

​Mesmo sendo o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV criticou a intervenção militar e exigiu que a independência da Venezuela seja preservada.

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A captura de Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos gerou uma reação imediata e contundente do Vaticano neste domingo (4). Em um gesto que marca sua independência em relação à política externa de sua terra natal, o Papa Leão XIV afirmou que a Venezuela precisa seguir como uma nação independente, sem interferências que anulem sua autonomia. O pontífice, que viveu quase trinta anos como missionário no Peru e possui cidadania peruana, demonstra que sua prioridade está na estabilidade da América Latina, região com a qual possui laços profundos.

​A fala do Papa não foi uma surpresa para quem acompanha seus movimentos recentes. Já no começo de dezembro, Leão XIV tentou evitar o confronto ao pedir que a Casa Branca escolhesse o caminho da conversa e da diplomacia antes de autorizar qualquer ação militar em solo venezuelano. Ele sempre se declarou contrário ao uso da força para resolver crises políticas, defendendo que soluções violentas costumam deixar feridas sociais difíceis de cicatrizar.

Agora, com a operação americana concretizada, o foco de Leão XIV se volta para a integridade física e os direitos dos cidadãos. Ele declarou estar acompanhando os desdobramentos com “profunda preocupação” e fez um apelo direto para que os direitos humanos sejam respeitados durante este período de incerteza. Para o Papa, a saída para a crise não pode ignorar as leis internacionais nem a vontade do povo venezuelano de decidir seu próprio destino.

​O posicionamento de Leão XIV coloca a Igreja Católica como uma voz crítica à postura de força adotada pelos Estados Unidos. Ao priorizar o respeito à soberania nacional, o Papa reforça seu papel de mediador global que, apesar de sua origem, não hesita em cobrar ética e paz das grandes potências mundiais.

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