O reencontro entre Renato Gaúcho e o Vasco da Gama deixou de ser um ensaio de bastidores para se tornar realidade nesta terça-feira. Após uma semana de tratativas que testaram o fôlego financeiro da diretoria, o técnico utilizou suas redes sociais para confirmar o retorno a São Januário. O acerto ocorre em um momento de asfixia técnica: com apenas um ponto conquistado em doze possíveis, o clube ocupa a última posição do Campeonato Brasileiro e busca em um velho conhecido a rota de fuga contra o rebaixamento.
O contrato seguiu o padrão pragmático adotado pelo técnico nos últimos anos. Sem a exigência de multas rescisórias, característica habitual de seu estafe que confere liberdade mútua entre as partes, a negociação travou inicialmente na barreira salarial. Foram necessárias três investidas da cúpula liderada por Pedrinho para que os números finais encontrassem o equilíbrio entre a pretensão de Renato e o orçamento deixado pela gestão de Fernando Diniz. O vínculo, que deve ser formalizado nas próximas horas, é válido até o encerramento da temporada 2026.
A escolha de Renato é, de certa forma, uma correção de rota planejada pelo presidente Pedrinho. No início deste ano, antes da breve passagem de Fábio Carille, o comandante era o alvo prioritário da gestão. Na época, recém-saído do Grêmio, Renato optou pelo distanciamento dos gramados para um período de descanso. Agora, aos 63 anos, ele interrompe a inatividade, que durava desde sua saída do Fluminense em setembro de 2005, para tentar ressignificar sua imagem na Colina Histórica.
O histórico de Renato no Vasco carrega a ambiguidade dos números e a cicatriz de 2008. Se por um lado suas duas passagens anteriores (2005-2007 e 2008) somam 45 vitórias em 115 partidas, por outro, ele foi o técnico do inédito rebaixamento do clube para a Série B. Curiosamente, Pedrinho, atual mandatário, estava em campo naquela campanha como atleta. O retorno do treinador simboliza um fechamento de ciclo e uma aposta na experiência para gerir um elenco que parece paralisado emocionalmente pelo início pífio no torneio nacional.
Com a eliminação precoce no Campeonato Carioca, Renato Gaúcho terá um intervalo de nove dias para organizar a casa antes da estreia oficial. O cenário, entretanto, é de alta exigência: o primeiro compromisso será no dia 12 de março contra o Palmeiras, em São Januário. O duelo pela quinta rodada da Série A é tratado internamente como o ponto de inflexão necessário para evitar que o clube se distancie precocemente da luta pela permanência na elite do futebol brasileiro.





