O palco de Anitta em São Luís, no último sábado (14), não se restringiu à coreografia e ao repertório de sucessos. No auge do desfile de seu bloco de rua, a cantora de 32 anos assumiu um papel de vigilância ativa, interrompendo o fluxo sonoro para confrontar a mancha de insegurança que tentava se infiltrar na multidão. Ao identificar focos de furtos e confusões entre os foliões, a artista utilizou o microfone como ferramenta de ordem, suspendendo a música até que a Polícia Militar detivesse os responsáveis.
A postura de Anitta reflete uma tendência de “autopoliciamento” em megablocos, onde o artista, do alto de sua visão privilegiada, torna-se os olhos da segurança pública. “Arruaceiro aqui não tem vez”, sentenciou a cantora, enquanto direcionava os agentes para pontos específicos da plateia. A eficiência da abordagem foi pontuada por uma interação direta com os suspeitos, evidenciando o cansaço da organização e do público com a criminalidade oportunista que costuma assombrar grandes eventos de massa.
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Mais do que um simples intervalo técnico, a pausa forçada pela carioca serviu como um manifesto sobre a ética do entretenimento. Ao declarar que o som só retornaria com a normalização do ambiente, Anitta subverteu a lógica de que “o show deve continuar” a qualquer custo. O episódio reafirma uma faceta recorrente de sua gestão de palco: a proteção do fã como prioridade comercial e moral, estabelecendo um limite claro entre a celebração carnavalesca e o espaço para delitos.
A intervenção terminou com um desabafo sobre a frustração de quem sai de casa com o intuito de celebrar, apenas para encontrar indivíduos focados em “arrumar quizumba”. Com a situação controlada pelos militares e os suspeitos retirados do perímetro, a música retomou seu curso, mas a mensagem ficou registrada como um lembrete de que a vigilância, hoje, também vem de cima do trio elétrico.





