Vídeo: A sombra na cabine. Operação desmantela rede de exploração infantil em São Paulo

​Prisão de piloto no Aeroporto de Congonhas e de avó em Guararema revela engrenagem de abuso que operava sob o radar das autoridades há quase uma década.

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O que deveria ser um ambiente de segurança e confiança familiar revelou-se o cenário de um crime estarrecedor no interior de São Paulo. Uma mulher de 55 anos, identificada apenas como Denise, foi detida nesta segunda-feira (9) em Guararema, sob a acusação de vender as próprias netas. As vítimas, crianças e adolescentes com idades entre 10 e 15 anos, eram submetidas a um ciclo de exploração sexual em troca de pagamentos. A investigação, que ganhou tração em outubro de 2025, aponta para uma traição absoluta dos laços consanguíneos em favor de uma estrutura criminosa lucrativa.

Veja o vídeo da prisão:

 

A outra ponta desse esquema operava nos céus e nos principais terminais aéreos do país. Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, piloto da companhia Latam, foi preso dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas. Investigado há oito anos por suposta participação em redes de pornografia infantil e abuso de menores, o profissional era, segundo as autoridades, o destinatário final do “agenciamento” realizado pela avó das vítimas. O impacto da prisão ecoou imediatamente no setor aéreo, levando a companhia a afastar o funcionário e declarar colaboração irrestrita com a Polícia Civil.

A operação não se restringiu às prisões principais, avançando com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão contra outros indivíduos suspeitos de orbitar essa rede. Até o momento, três vítimas foram formalmente identificadas e retiradas do contexto de vulnerabilidade, enquanto o grupo passa a responder por crimes de favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças. O caso expõe a sofisticação e a longevidade de estruturas de abuso que, muitas vezes, escondem-se atrás de fachadas de normalidade profissional e doméstica.

A desarticulação deste núcleo é um lembrete da complexidade em combater crimes de estupro de vulnerável, onde a tecnologia e a mobilidade geográfica são usadas para mascarar rastros. O foco agora se volta para a análise dos materiais apreendidos, que podem revelar a extensão real desta rede e identificar outras possíveis vítimas que ainda sofrem em silêncio.

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