A Venezuela atravessa seu momento de maior incerteza institucional em décadas. Após a incursão militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro no último sábado (3), o aparato estatal remanescente oficializou, nesta segunda-feira (5), um estado de emergência que altera profundamente a dinâmica de segurança no país. O decreto, embora retroativo ao dia do ataque, foi detalhado apenas agora, estabelecendo uma diretriz clara: a neutralização imediata de qualquer dissidência interna rotulada como colaboracionista.
O documento ministerial ordena que as forças policiais e de inteligência iniciem uma varredura em território nacional para localizar e deter indivíduos suspeitos de envolvimento, apoio logístico ou promoção da intervenção estrangeira. Na prática, a medida suspende garantias individuais e coloca sob a mira do Estado figuras da oposição e movimentos sociais que não alinhem seu discurso à narrativa de “resistência ao imperialismo”. A retórica de unificação nacional é o pilar central da estratégia de sobrevivência do grupo que ainda detém as chaves do Palácio de Miraflores.
No campo militar, a resposta é liderada por Vladimir Padrino, ministro da Defesa, que assume o papel de voz da soberania ferida. Padrino não apenas condenou a presença de tropas externas, mas elevou o tom ao denunciar impactos severos em áreas civis durante a operação de extração de Maduro. Ao convocar uma mobilização geral, o comando militar tenta transformar o choque da perda de sua liderança máxima em combustível para uma guerra de resistência, testando a lealdade das bases bolivarianas e das milícias populares diante de um vácuo de poder sem precedentes.
O cenário em Caracas é de uma tensa espera. Enquanto o governo busca legitimidade através da denúncia da agressão externa, o texto do decreto revela uma fragilidade latente: o medo da implosão interna. Ao exigir a captura de “todos os envolvidos”, o regime sinaliza que o inimigo, para as cúpulas chavistas, não está apenas no horizonte marítimo ou em Washington, mas possivelmente infiltrado nas estruturas políticas e sociais que, até poucos dias, pareciam inabaláveis.





