O bairro Heitel Santiago, em Santa Rita (PB), foi estilhaçado neste domingo por uma operação criminosa que mimetiza táticas de guerrilha urbana. O que se viu não foi um atentado aleatório, mas uma incursão coreografada: cerca de 20 homens armados cercaram o perímetro para executar um plano de extermínio meticuloso. Ao invadirem a residência onde as vítimas se encontravam, os agressores não se limitaram ao uso da força bruta, mas adotaram um protocolo de “conferência” digital. Relatos de sobreviventes descrevem uma cena distópica, na qual os algozes, com smartphones em punho, comparavam os rostos das pessoas rendidas com fotografias de um banco de dados particular, assegurando que o alvo fosse atingido com precisão.
O desdobramento do ataque elevou a tensão para além dos limites da moradia invadida. Três indivíduos foram retirados sob custódia do bando e arrastados para uma zona de vegetação densa nas proximidades, estratégia comum em crimes de execução que visam dificultar o trabalho imediato da perícia e o resgate. A logística empregada, que envolveu um contingente numeroso de suspeitos e o controle do território durante a ação, aponta para uma estrutura de crime organizado que opera com níveis alarmantes de inteligência e premeditação.
A Polícia Civil da Paraíba, sob a coordenação do delegado de plantão, já trabalha com a hipótese de acerto de contas ou disputa por hegemonia territorial, dado o caráter seletivo das mortes. Enquanto a Polícia Militar satura a região de mata em busca dos desaparecidos e de pistas que levem ao paradeiro dos autores, o clima no Heitel Santiago é de um silêncio imposto pelo trauma. O episódio não apenas deixa um rastro de sangue, mas reitera um desafio urgente para as forças de segurança do Estado: o enfrentamento a grupos que agora utilizam a tecnologia como ferramenta auxiliar no tribunal do crime.





