A rotina de check-list e decolagens no Aeroporto de Congonhas foi interrompida nesta segunda-feira por um procedimento alheio à aviação civil. Policiais civis da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia (DHPP) cruzaram a ponte de embarque para cumprir um mandado de prisão temporária contra Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos. O suspeito, comandante da Latam, já ocupava seu posto na cabine de comando com destino ao Santos Dumont quando foi confrontado pelas autoridades, tornando-se o ponto focal da Operação Apertem os Cintos.
A investigação desmascara uma estrutura que, sob a fachada da normalidade profissional, teria perpetuado um ciclo de violência sexual por pelo menos oito anos. O esquema não se limitava ao consumo de material ilícito, mas avançava para o abuso físico direto. Segundo o DHPP, o piloto utilizava documentos falsificados para contornar a vigilância de estabelecimentos de hospedagem, levando menores de idade a motéis da capital e região metropolitana.
O aspecto mais sombrio do caso revela uma simbiose de crimes financeiros e familiares. Entre os detidos está uma mulher de 55 anos, cuja identidade não foi revelada para preservar as vítimas. Ela é acusada de mercantilizar a vulnerabilidade das próprias netas, crianças e adolescentes de 10, 12 e 14 anos, entregando-as ao piloto mediante pagamento. Esse elo evidencia o que a polícia classifica como uma “estrutura organizada”, onde a habitualidade e a divisão de tarefas garantiam a longevidade da rede criminosa.
Além das prisões em São Paulo e Guararema, a ofensiva policial executou oito mandados de busca e apreensão, visando desarticular o suporte logístico e digital da organização. O material coletado deve agora alimentar o inquérito que apura estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual infantil. Enquanto a defesa do piloto ainda não se manifestou, o caso reverbera como um alerta sobre a capilaridade desses crimes em esferas sociais insuspeitas, exigindo um rigor investigativo que ultrapasse as fronteiras do óbvio.





