A história costuma se repetir não como farsa, mas como uma tragédia de erros previsíveis. Enquanto diplomatas em Washington e Teerã ainda ajustavam o nó de suas gravatas para mais uma rodada de conversas, o som metálico das decolagens e o clarão das explosões anteciparam o veredito final: a diplomacia faliu. O ataque conjunto desferido pelos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano neste dia 28 não é apenas um movimento estratégico militar; é o rasgar de um contrato de estabilidade, por mais precário que ele fosse. O Ministério da Defesa israelense confirmou o início das ofensivas, mas as consequências humanas, que os mapas de guerra raramente mostram , já começam a ser contadas em centenas.
O balanço inicial é sombrio. Segundo o Crescente Vermelho, o rastro de destruição deixou mais de duas centenas de mortos e uma legião de feridos que superlotam os hospitais iranianos. A resposta de Teerã veio na mesma moeda de chumbo, mirando bases militares estadunidenses espalhadas pela região. Esse efeito dominó de agressões e revanches nos empurra para um cenário onde a razão é a primeira baixa. Não se trata apenas de geopolítica de alto nível; trata-se do pavor que atravessa fronteiras, como o sentido por Sussan Rassouli, que, mesmo do conforto aparente de Londres, resumiu o sentimento de uma diáspora inteira ao confessar o “puro horror” diante do amanhã. O medo dela é o termômetro de um mundo que esqueceu como se apagam incêndios sem usar gasolina.
As ruas de Mashhad, no Irã, e as imediações da embaixada americana em Bagdá tornaram-se o palco de uma indignação que transborda. O que vemos agora é o resultado amargo de décadas de intervenções estrangeiras que, sob o pretexto de instaurar ordem, acabam por semear o caos. Quando a força bruta substitui o diálogo, o que resta é o vácuo da incerteza. A comunidade internacional assiste, entre o torpor e a impotência, a uma escalada que ninguém parece capaz, ou verdadeiramente disposto, a frear. No fim do dia, quando a fumaça baixar, restará a pergunta incômoda: quantas vidas valem o orgulho de uma bandeira ou a manutenção de uma hegemonia que já dá sinais de exaustão?





