O legado gigante: Recife consolida o Baobá como sentinela de sua memória urbana

​A capital pernambucana avança na proteção jurídica de árvores milenares que conectam a ancestralidade africana às margens do Rio Capibaribe.

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​Enquanto a maioria das metrópoles brasileiras se sufoca em concreto, o Recife aposta em uma arquitetura viva para preservar sua identidade. A cidade abriga hoje um dos maiores e mais simbólicos acervos urbanos de baobás do país, transformando essas árvores, originárias do continente africano, em verdadeiros monumentos naturais. Mais do que meros elementos paisagísticos, os exemplares tornaram-se símbolos de resistência cultural, funcionando como elos físicos entre o passado colonial e a busca contemporânea por preservação ambiental.

​O epicentro dessa valorização é o Jardim do Baobá, no bairro das Graças. Ali, um exemplar centenário não apenas domina o horizonte, mas dita a relação da vizinhança com o Rio Capibaribe. Sob sua sombra, a cidade reaprende a conviver com suas águas, utilizando a árvore como âncora de um urbanismo mais humano. Desde 1988, este gigante específico goza do status de patrimônio municipal, uma medida pioneira que garantiu não apenas a sobrevivência do tronco e da copa, mas a proteção rigorosa de todo o seu entorno imediato contra a especulação imobiliária.

​O movimento de salvaguarda, no entanto, não é um evento isolado no tempo. Dados recentes indicam que 14 baobás já foram oficialmente tombados no Recife, integrando uma rede de proteção que exige critérios rigorosos de relevância histórica e equilíbrio biológico. A análise para novos tombamentos segue em curso, sinalizando que a prefeitura reconhece nessas árvores um valor imaterial que ultrapassa a botânica. Ao proteger o baobá, o Recife protege a própria narrativa de sua formação, mantendo de pé sentinelas que testemunharam séculos de transformação urbana e social.

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