Na vasta e resiliente imensidão da caatinga, onde até os espinhos lutam para sobreviver, um grupo de “botânicos entusiastas” decidiu testar o potencial hidropônico do solo de Curaçá, na Bahia. A iniciativa, que visava transformar a Agrovila 7 em um polo de exportação de Cannabis sativa, foi abruptamente interrompida pela 45ª Companhia Independente de Polícia Militar. Em uma operação que poderia ser descrita como o pesadelo de qualquer sommelier de ervas, os agentes localizaram uma sementeira estratégica, meticulosamente escondida em uma área de difícil acesso, provando que, para o crime, a logística é sempre o maior desafio.
O empreendimento rural, que operava sob o modelo de “incubadora”, preparava centenas de mudas para um futuro plantio em larga escala. Tratava-se de um planejamento agrícola invejável, que faria qualquer consultor chorar de emoção, não fosse o pequeno detalhe da ilegalidade constitucional. Infelizmente para os investidores ocultos, a colheita não será processada em seda, mas sim incinerada sob o sol escaldante do sertão. A polícia, seguindo o protocolo de quem não quer deixar ninguém “nas nuvens”, destruiu o material no próprio local, restando apenas uma amostra solitária para contar história na delegacia local.
O mistério, contudo, permanece no ar, e não é apenas o cheiro da queima. Nenhum dos responsáveis pelo “startup verde” foi encontrado para comentar o prejuízo ou reivindicar a autoria do paisagismo proibido. Enquanto a Polícia Judiciária analisa a amostra técnica, o sertão volta à sua programação normal de milho e feijão, deixando para trás apenas as cinzas de um projeto que prometia ser a “viagem” do ano na economia regional. Mais uma vez, o Estado prova que, na caatinga, o único verde permitido com autorização oficial continua sendo o dos cactos.





