O arquivo X do Planalto: Rebelo promete abrir a “caixa-preta” espacial se chegar lá

​Entre o ET de Varginha e o Capitólio, pré-candidato surfa na onda de Trump para transformar o mistério ufológico em plataforma eleitoral

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Aldo Rebelo, político de longa data e agora postulante ao cargo de chefe da nação pelo Democracia Cristã, resolveu que seu passaporte para o Alvorada em 2026 pode estar guardado em hangares secretos. Em uma manobra que mistura geopolítica de ficção científica e estratégia digital, o ex-ministro da Defesa sugeriu que o Brasil guarda segredos cósmicos sob as fardas, segredos esses que ele só pretende ventilar se Donald Trump, do outro lado do Equador, der o primeiro passo.

​A política externa brasileira, historicamente pautada pelo pragmatismo e pela busca de um assento no Conselho de Segurança da ONU, ganha agora um novo horizonte: a busca por um assento na federação intergaláctica. Rebelo, que já comandou as Forças Armadas, afirma saber exatamente o que repousa nas pastas classificadas. Sua promessa é de uma transparência condicionada, um “quem mostra primeiro” diplomático que coloca os Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, para os íntimos da NASA) no centro do debate sucessório.

Enquanto a ciência tenta explicar manchas no céu como meros caprichos meteorológicos ou drones militares de última geração, o imaginário popular brasileiro ainda é alimentado pelo folclore de Varginha. É nesse vácuo entre o ceticismo acadêmico e a curiosidade do eleitor que Rebelo se posiciona. Se Barack Obama e Donald Trump transformaram os OVNIs em pauta de podcast e promessa de campanha, o Brasil, terra do sincretismo e das conspirações tropicais, não poderia ficar de fora.

O curioso é observar a transformação do termo. O que antes era “disco voador” para entusiastas de chapéu de alumínio, virou “objeto” para os militares e “fenômeno anômalo” para a NASA, em uma tentativa de higienizar o mistério com o detergente do rigor científico. No Arquivo Nacional, os registros já são públicos e extensos, mas o fetiche pelo “documento escondido” é o que realmente move o ponteiro das redes sociais.

Resta saber se o eleitorado está mais preocupado com a inflação na Terra ou com a possível invasão vinda de Marte. Ao condicionar a verdade brasileira à vontade de Washington, Rebelo não apenas ecoa a retórica de Trump, mas reafirma uma dependência cultural que nem a tecnologia alienígena parece capaz de resolver. Se a verdade está lá fora, ela agora tem data para aparecer: logo após a apuração do segundo turno, caso os astros, e os votos, se alinhem.

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