Exposição em Campina Grande mostra o Rei do Baião no coração do São João

​Acervo inédito de Luiz Gonzaga transforma o Parque Evaldo Cruz em um portal sensorial pela história da música brasileira

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​O São João 2026 de Campina Grande oferece aos forrozeiros uma experiência que vai além dos palcos e das quadrilhas. No Parque Evaldo Cruz, uma exposição imersiva dedicada a Luiz Gonzaga estabelece um diálogo direto com o legado do sanfoneiro, expondo parte da memória afetiva de um ícone que moldou a identidade cultural do país. A iniciativa, que transforma documentos e objetos pessoais em uma narrativa visual, projeta receber meio milhão de visitantes até o encerramento da festa, em 5 de julho.

 

​O curador Paulo Vanderley, responsável pela guarda e organização dos itens, tratou a montagem como uma extensão tridimensional de sua pesquisa documental. A exposição funciona como uma linha do tempo segmentada por décadas, permitindo que o público percorra as fases da vida do artista entre discos raros, manuscritos e artefatos de uso cotidiano, como um de seus microfones originais. O projeto revela apenas uma fração do catálogo pessoal do pesquisador, que acumula mais de cinco mil itens sobre o músico ao longo de trinta anos de curadoria especializada.

A estrutura do espaço, que conta com elementos cenográficos de grande porte, como réplicas gigantes dos chapéus característicos de Gonzaga, foi desenhada para facilitar o acesso de diferentes gerações ao universo do Rei do Baião. Para Vanderley, natural de Piancó, a montagem representa um retorno simbólico ao seu estado de origem, oferecendo ao público paraibano a oportunidade de tangibilizar a trajetória de um dos maiores nomes da música popular brasileira.

O caráter educativo da mostra tem sido um dos pontos mais elogiados pelos frequentadores. Ao posicionar a história de Gonzaga no centro das celebrações juninas, o evento propõe que a festa seja também um ambiente de formação cultural, permitindo que turistas e moradores conheçam as raízes do gênero que define o São João. A exposição funciona diariamente, das 17h até meia-noite, com entrada gratuita, consolidando-se como um dos raros momentos em que a celebração festiva se encontra com a preservação histórica de forma tão acessível.

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