Devassa digital: o caminho do dinheiro na mira do STF

​Moraes avança sobre servidores da Receita Federal para rastrear possíveis mandantes de acessos ilegais a dados de ministros e familiares

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A Polícia Federal deflagrou uma ofensiva estratégica nesta terça-feira para desarticular uma célula de espionagem burocrática incrustada na Receita Federal. Sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, a operação não se limitou à apreensão de dispositivos eletrônicos; ela busca, primordialmente, a origem do financiamento por trás da violação de sigilos fiscais que atingiram cúpulas do Judiciário. Ao determinar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de quatro servidores do órgão, o Supremo Tribunal Federal sinaliza que a principal hipótese investigativa é a de um mercado clandestino de informações, onde o acesso a dados sensíveis de autoridades e seus familiares teria sido comercializado.

O estopim para a intervenção drástica foi a confirmação de que a advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, e o filho de outro integrante da Corte tiveram suas declarações de Imposto de Renda devassadas sem qualquer lastro jurídico. A resposta institucional veio em cascata: além das buscas domiciliares, os suspeitos foram sumariamente afastados de suas funções públicas, tiveram seus passaportes retidos e estão agora sob monitoramento eletrônico. O uso de tornozeleiras em funcionários do fisco sublinha a gravidade com que o tribunal encara a instrumentalização de órgãos de Estado para fins de perseguição ou intimidação.

A investigação agora entra em uma fase de cruzamento de dados financeiros. O objetivo é identificar se houve fluxos de caixa atípicos nas contas dos servidores que coincidam com os períodos das consultas irregulares nos sistemas da Receita. Mais do que punir os executores, o foco da Polícia Federal recai sobre os contratantes. O sigilo que envolve o processo no Supremo tenta preservar o rastro digital deixado pelos suspeitos, enquanto a inteligência da PF trabalha para descobrir se essas invasões fazem parte de uma engrenagem maior de pressão contra o Estado Democrático de Direito.

O episódio expõe a vulnerabilidade de sistemas que deveriam ser invioláveis e coloca o governo federal sob pressão para endurecer os mecanismos de controle interno. Enquanto os quatro servidores aguardam o desenrolar das perícias em liberdade vigiada, o mercado político de Brasília observa atentamente o desfecho das quebras de sigilo, que prometem revelar quem são os verdadeiros interessados no “cardápio” de dados fiscais da capital.

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