A partir desta quinta-feira (5), o ritual de apagar as luzes e mergulhar em uma narrativa cinematográfica ganha um fôlego financeiro que desafia a inflação do entretenimento. A primeira edição de 2026 da Semana do Cinema ocupa o calendário nacional até o dia 11 de fevereiro, estabelecendo uma política de preços que ignora as taxas convencionais. Em uma articulação entre a Feneec e a Abraplex, as principais redes do país, incluindo gigantes como Cinemark e UCI, buscam democratizar o acesso à sétima arte em um momento em que a disputa pela atenção do público está cada vez mais acirrada.
O modelo tarifário foi desenhado para privilegiar o espectador que busca o custo-benefício. Nas sessões convencionais em 2D ou 3D, quem chegar antes das 17h pagará o valor simbólico de R$ 10. Para os noctívagos ou aqueles que dependem do fim do expediente, o ingresso sofre um ajuste discreto para R$ 12. Até mesmo a experiência de luxo, frequentemente restrita a orçamentos mais elásticos, entrou no pacote: as salas Prime e VIP operam com valores que oscilam entre R$ 20 e R$ 24, dependendo do horário da sessão.

Essa estratégia não se limita apenas à bilheteria, mas atinge o coração da economia dos complexos de lazer: a bomboniere. Embora cada rede detenha autonomia para configurar seus pacotes de pipoca e refrigerante, o objetivo é uníssono: converter o cinema em um programa viável para diferentes perfis familiares. O movimento ocorre em uma janela cinematográfica densa, onde a expectativa em torno de produções como “O Agente Secreto” e “Hamnet” se mistura às estreias de “Destruição Final 2” e “A Última Ceia”, garantindo que a redução de preço não signifique uma queda na qualidade do catálogo oferecido.
Mais do que uma simples promoção, a Semana do Cinema funciona como um termômetro para a indústria. Ao reduzir as barreiras de entrada, o setor reafirma a relevância da experiência coletiva da sala escura frente à conveniência dos algoritmos domésticos. Para o espectador, resta a oportunidade de consumir cultura com um investimento que, por sete dias, rompe a lógica do mercado tradicional e devolve ao cinema o seu caráter mais genuíno: o de ser um espetáculo para todos.




