O Partido dos Trabalhadores (PT) escolheu Salvador como o campo estratégico para as comemorações de seus 46 anos. No entanto, o clima festivo deste sábado (7) é apenas a superfície de uma engrenagem política complexa. O encontro, que atrai ministros, parlamentares e a militância, serve como o primeiro grande teste de articulação para o ciclo eleitoral que se aproxima, transformando a capital baiana em uma extensão do Palácio do Planalto.
A escolha da sede não é aleatória. Ao celebrar o aniversário em um estado governado pela própria legenda, o PT reafirma sua hegemonia no Nordeste e utiliza o simbolismo local para amarrar nós que ainda parecem frouxos. Um dos pontos centrais da agenda é a consolidação da aliança com o PSB. O prefeito do Recife, João Campos, figura central nessa dinâmica, já sinalizou alinhamento integral com o presidente Lula, buscando transpor essa sintonia para a chapa da Frente Popular no âmbito estadual e em colégios eleitorais decisivos, como São Paulo e Minas Gerais.
Para além dos discursos de palanque, o senador Humberto Costa ressalta que o momento exige uma transição entre a celebração e o pragmatismo organizacional. A reunião do Diretório Nacional, que precede o ato político, foca em ajustes estruturais essenciais: mudanças no estatuto, regimento interno e a preparação para o congresso partidário agendado para abril. É um esforço de introspecção necessário para alinhar as prioridades do governo federal com a base partidária, evitando que divergências internas comprometam a governabilidade.
O cenário desenhado em Salvador também expõe a força da bancada pernambucana, com nomes como Teresa Leitão, Carlos Veras e a ministra Luciana Santos (PCdoB) reforçando o peso do estado nas decisões nacionais. O deputado Carlos Veras destaca que a estratégia agora é cirúrgica, exigindo um olhar atento sobre a realidade de cada unidade da federação para maximizar os avanços. O que se vê no território baiano é o PT tentando equilibrar sua identidade histórica com as exigências de uma frente ampla, operando uma engenharia política que visa blindar o projeto nacional através de alicerces regionais robustos.





