Asas cortadas: o esquema de exploração infantil que operava sob o radar de Congonhas

​Piloto preso na capital paulista é apontado como o mentor de uma rede que falsificava identidades para mascarar estupros e tráfico de menores em motéis.

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A rotina de viagens do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, ocultava um plano de voo muito mais sinistro do que as rotas comerciais sugeriam. Detido em pleno Aeroporto de Congonhas, o aeronauta é o eixo central de uma investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) que desnudou uma engrenagem de exploração sexual infantil operando na capital paulista. A prisão não encerra apenas um ciclo de abusos, mas revela a sofisticação logística utilizada para burlar a vigilância de estabelecimentos de hospedagem.

O método era pautado pela falsificação documental. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, Lopes utilizava Registros Gerais (RGs) de adultos para transitar com crianças em motéis, anulando qualquer suspeita imediata dos recepcionistas. Ao cruzar as portas desses estabelecimentos, a violência era a regra: o piloto não apenas gerenciava a rede de pornografia, mas exercia a agressão direta. Relatos da investigação descrevem um cenário de brutalidade física recente, com vítimas apresentando lesões severas decorrentes de encontros ocorridos dias antes da captura.

A teia criminosa possuía ramificações domésticas perversas. Entre as vítimas identificadas, destaca-se o caso de três irmãs cuja própria avó atuava como facilitadora, resultando na prisão temporária da matriarca. O histórico de uma das meninas ilustra a longevidade da impunidade do suspeito: os abusos teriam começado quando ela tinha apenas oito anos, estendendo-se por quase meia década sob o domínio do piloto.

O trabalho de inteligência, que se estendeu por três meses, posiciona Sérgio Antônio Lopes não como um cliente casual, mas como o “dono” da operação. A disrupção deste esquema joga luz sobre a vulnerabilidade das fronteiras urbanas e a facilidade com que documentos adulterados podem camuflar crimes hediondos. Agora, o foco das autoridades volta-se para o rastreamento do alcance dessa rede e a identificação de outros possíveis colaboradores que permitiram que o piloto voasse, por tanto tempo, abaixo do radar da justiça.

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