O tabuleiro político da Paraíba para as próximas eleições federais começa a desenhar um cenário de reconfiguração de forças, onde a ascensão de Pollyanna Werton se destaca não apenas pelos números, mas pela quebra de paradigmas. Atual secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, a deputada licenciada tem transformado a capilaridade da assistência social em um ativo eleitoral que a projeta entre os doze nomes mais competitivos para a Câmara dos Deputados. O dado que salta aos olhos nos bastidores e nas sondagens recentes é a solidão de seu gênero no pelotão de frente: Werton surge, até o momento, como a única mulher com viabilidade real de ocupar uma das cadeiras em Brasília pela bancada paraibana.
A trajetória de Pollyanna foge do script tradicional das elites políticas hereditárias. Sua base foi moldada no Sertão, consolidando-se através de uma atuação direta com as camadas mais vulneráveis da população. À frente de uma pasta estratégica para o Governo do Estado, ela operacionaliza a ponta final das políticas públicas, o que lhe garante uma presença territorial que muitos parlamentares de gabinete dificilmente alcançam. Essa proximidade com a realidade do interior permitiu que ela absorvesse o espólio simbólico do “Lulismo” na região, sendo frequentemente batizada por lideranças locais e populares como a “Federal de Lula”, uma alcunha que sinaliza um alinhamento ideológico e pragmático com o Palácio do Planalto.
Analistas políticos observam que o fenômeno Werton é uma resposta à demanda por uma representação que una competência técnica de gestão à identidade regional. Sua pré-candidatura não se sustenta apenas na cota de gênero, mas em uma musculatura política construída na execução de programas de combate à desigualdade. Em um estado onde a política de Brasília ainda é um reduto majoritariamente masculino e conservador, a possível chegada de Pollyanna ao Congresso Nacional sinaliza uma renovação de discurso e uma oxigenação necessária para as pautas sociais do Nordeste. A estratégia agora é converter o reconhecimento da gestão estadual em votos consolidados, provando que a força do Sertão pode, de fato, alterar a geografia do poder na Paraíba.




