A máscara caiu: a trajetória de veneno e fraude da falsa policial em Salvador

​Sob a alcunha de agente da lei, Jozeny Pereira dos Santos é presa após tentativa de homicídio e uma série de golpes financeiros que vitimaram de idosos a compradores de veículos.

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​A pacata rotina do bairro STIEP, em Salvador, escondeu, até o início de janeiro, o desfecho quase trágico de uma negociação comercial que descambou para a esfera criminal. O que deveria ser um almoço de negócios entre vendedor e comprador transformou-se em uma cena de tentativa de homicídio quando Jozeny Pereira dos Santos, de 37 anos, decidiu que o veneno seria a solução para um impasse burocrático. A Polícia Civil da Bahia, através da Operação Dose Única, encerrou nesta sexta-feira o rastro de crimes de uma mulher que transitava com perigosa facilidade entre a simulação de autoridade e o estelionato contumaz.

​O gatilho para a investigação foi a internação de urgência de um homem que, após adquirir um veículo das mãos de Jozeny, passou a cobrar a transferência de propriedade nunca concretizada. Durante o encontro, a suspeita teria contaminado a refeição da vítima com substância tóxica. O sobrevivente, que escapou da letalidade por intervenção médica célere, abriu as portas para que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) desvelasse um perfil psicológico voltado para o ganho ilícito e a manipulação de identidades. Jozeny não apenas vendia o que não entregava, mas também vestia o manto do Estado para intimidar ou ludibriar, apresentando-se alternadamente como investigadora da Polícia Civil e agente da Corregedoria da Polícia Militar.

​A audácia da investigada alcançou um ápice sombrio no final de 2025, conforme registros da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso. Sob o pretexto de uma aproximação social, ela teria subtraído o cartão de crédito de um idoso, transformando a vida da vítima em um caos financeiro. O prejuízo ultrapassou a barreira dos 60 mil reais em empréstimos não autorizados, além de gastos desenfreados e o uso de comprovantes bancários forjados para simular o pagamento de aluguéis. A operação policial que culminou em sua prisão temporária não apenas retirou Jozeny de circulação, mas também recuperou o veículo pivô do envenenamento nos bairros de Pernambués e Cabula, consolidando um inquérito que agora repousa sobre a mesa do Judiciário baiano, onde a falsa policial deverá responder pela realidade de seus atos.

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