O setor aéreo brasileiro atravessa um período de retração estrutural. Dados da associação internacional do segmento revelam que, nos últimos seis anos, o volume total de trajetos no país encolheu quase 10%. O cenário desenha um paradoxo: embora o fluxo de passageiros tenha crescido 4% no mesmo período, a oferta de caminhos encurtou, resultando em menos opções de conectividade e um aumento direto nas tarifas para o consumidor final.
A maturidade do mercado brasileiro permanece tímida. Atualmente, o país apresenta um índice de 0,50 voo per capita, número que, embora tenha superado a marca de 0,47 registrada em 2015, ainda naufraga frente à média latino-americana de 0,68. Para as companhias, o ambiente operacional é hostil. O querosene de aviação, que consome cerca de 40% das despesas das empresas, tem sido o principal vetor de instabilidade, corroendo margens e projetando uma queda de metade dos lucros anuais do setor.
No horizonte, a implementação da reforma tributária traz uma nova camada de incerteza. Especialistas da indústria estimam que a transição fiscal pode elevar o tíquete médio das passagens domésticas de 130 para 160 dólares, enquanto os voos internacionais sofreriam um salto de 740 para 935 dólares. O Ministério da Fazenda argumenta que os novos incentivos fiscais previstos no texto da reforma devem mitigar esses impactos, sustentando que projeções isoladas ignoram as compensações previstas para as empresas.
Contudo, a crise de eficiência e custos encontra um agravante singular no Brasil: a judicialização. O volume de litígios é desproporcional quando comparado a mercados desenvolvidos. Enquanto nos Estados Unidos registra-se um processo judicial para cada 1,2 milhão de passageiros, o Brasil acumula uma ação para cada 277 viajantes. Esse fenômeno impõe um custo operacional fixo que pressiona as tarifas e desestimula a expansão de rotas, mantendo o setor aéreo brasileiro em uma posição de vulnerabilidade perante seus pares globais.





