O estampido que abafou o trio: violência no Campo Grande, em Salvador, interrompe a folia

​Confusão em frente ao Teatro Castro Alves transforma o Circuito Osmar em cenário de crime; Polícia Civil busca autores de disparos que feriram duas pessoas no sábado de Carnaval.

Compartilhe o Post

O sotaque festivo do Circuito Osmar cedeu espaço ao estampido seco da violência na noite deste último sábado (14). Em frente à sobriedade arquitetônica do Teatro Castro Alves, no Campo Grande, a coreografia rítmica dos blocos foi bruscamente substituída por uma correria desenfreada. O que deveria ser a apoteose da celebração baiana transmutou-se em uma tentativa de homicídio que deixou marcas físicas em dois foliões e uma cicatriz de insegurança na folia soteropolitana.

No tumulto, uma jovem de 22 anos foi atingida no olho esquerdo. A gravidade do ferimento simboliza o aspecto mais cruel da desordem pública: a vulnerabilidade do espectador comum diante do caos armado.

Simultaneamente, um homem de 32 anos escapou por pouco de um desfecho fatal, sendo atingido de raspão na região do pescoço. Ambos tornaram-se estatística em um episódio que a Polícia Civil agora tenta decifrar através de fragmentos de imagens e relatos dispersos.

A investigação, sob a tutela da 3ª Delegacia de Homicídios de Salvador, concentra esforços no rastreamento digital do perímetro. Câmeras de monitoramento público e privado estão sendo submetidas a uma triagem técnica rigorosa para identificar quem, em meio à massa, sacou o gatilho. O desafio dos investigadores é isolar o agressor em um cenário de briga generalizada, onde o anonimato da multidão costuma servir de escudo para a impunidade.

Enquanto a perícia trabalha nos bastidores, o caso levanta o debate recorrente sobre a eficácia dos cordões de isolamento e o controle de armas em grandes eventos de rua. Mais do que um registro policial, o episódio no Campo Grande atua como um lembrete amargo de que a festa mais popular do mundo ainda trava uma luta constante para expulsar de seus circuitos o fantasma da violência gratuita.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.