O mercado imobiliário brasileiro inicia o mês de fevereiro sob o signo da liquidez forçada. A plataforma Zuk colocou em pista mais de 2.300 ativos, em uma ofensiva que abrange desde o interior paraense até o coração logístico de São Paulo. O volume de ofertas não reflete apenas um movimento sazonal de balanço, mas uma estratégia agressiva de desmobilização de ativos por parte das principais instituições financeiras do país, como Itaú, Bradesco e Santander.
A disparidade dos lotes revela a capilaridade da operação. De um lado, o certame apresenta oportunidades de entrada baixíssima, exemplificadas por uma residência em Maracanã (PA) avaliada em apenas R$ 1 mil. No extremo oposto, o radar dos investidores institucionais foca em ativos como um complexo industrial na Vila Leopoldina, na capital paulista, com lance inicial superando os R$ 3,3 milhões. Essa amplitude permite que o leilão atue em duas frentes: a realização do sonho da casa própria para o varejo e a arbitragem de capital para profissionais do setor.
Para além do valor de martelo, o diferencial desta rodada reside na engenharia financeira disponível. Diferente dos leilões judiciais puramente rígidos, as ofertas em parceria com bancos admitem financiamentos que se estendem por até 420 meses. Essa flexibilidade retira o leilão do gueto dos investidores com capital de giro imediato e o coloca na prateleira do consumidor comum, que consegue converter o aluguel em uma parcela de imóvel arrematado com deságio.
A presença de fintechs e bancos digitais como Inter, C6 e Nubank no rol de comitentes vendedores sinaliza uma modernização na gestão de garantias. O que se vê é um esforço coordenado para limpar balanços, oferecendo descontos que, em casos específicos previstos em edital, podem chegar a 99% sobre o valor de avaliação. Contudo, o investidor atento sabe que a “oportunidade da década” exige uma leitura minuciosa dos editais para mapear débitos condominiais ou questões de desocupação, variáveis que definem a real rentabilidade da operação.





