As engrenagens da maior olimpíada científica do país já estão em movimento. Até o dia 16 de março, instituições de ensino de todos os cantos do Brasil devem formalizar a participação de seus alunos na 21ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). O evento, que ultrapassa a barreira dos 18,5 milhões de participantes, consolida-se não apenas como uma competição acadêmica, mas como um mecanismo estratégico de ascensão social e identificação de potenciais intelectuais em escala nacional.
Realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a iniciativa rompe o estigma de que o conhecimento de alto nível é restrito aos grandes centros ou elites econômicas. Embora o DNA do projeto seja a rede pública, a estrutura reserva espaço e premiações específicas para a rede privada, integrando diferentes realidades escolares sob o mesmo desafio lógico. O suporte financeiro e logístico provém de uma articulação direta entre o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, evidenciando que a matemática é tratada aqui como uma política de Estado.
O funil de seleção é rigoroso e estruturado em duas etapas distintas. A jornada começa em 9 de junho, dentro das próprias escolas, com uma avaliação objetiva de 20 questões. O verdadeiro teste de profundidade intelectual ocorre em 17 de outubro, quando os classificados enfrentam provas discursivas em centros de aplicação regionais. Nessa fase, a habilidade de articular raciocínios e estruturar soluções conta mais do que o resultado final, dividindo os competidores em três níveis que acompanham desde o 6º ano do ensino fundamental até a conclusão do ensino médio.
A premiação de 2026 projeta um alcance expressivo, com a distribuição de 8.450 medalhas nacionais e dezenas de milhares de certificados de menção honrosa. No entanto, o ápice da conquista reside no acesso ao Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC). Para os medalhistas da rede pública, o reconhecimento vem acompanhado de uma bolsa mensal de R$ 300, fomentada pelo CNPq. É o incentivo tangível que transforma o estudante em pesquisador precoce, garantindo que o talento não se perca por falta de suporte. Paralelamente, as medalhas estaduais ampliam o reconhecimento regional, celebrando o mérito em cada unidade da federação e fortalecendo a cultura do estudo em todo o território.





