Radar no tanque: Inmetro e ANP deflagram ofensiva contra a “Bomba Baixa” e adulteração

​Operação Tô de Olho mobiliza força-tarefa em oito estados para estancar hemorragia financeira do consumidor causada por chips clandestinos e combustível batizado.

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A rotina de abastecer o veículo no Brasil ganhou um componente extra de vigilância nesta terça-feira (3). Sob o nome de Operação “Tô de Olho, Abastecimento Seguro”, o Inmetro e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deram início a uma varredura técnica em aproximadamente 180 postos de combustíveis espalhados pelo Distrito Federal e oito estados.

A missão não se limita à conferência visual, mas mergulha nas entranhas eletrônicas das bombas para desarticular um esquema que lesa o bolso do cidadão de forma invisível.
​O foco da ofensiva é o combate à chamada “bomba baixa”, uma fraude tecnológica onde dispositivos clandestinos manipulam o software de medição. Na prática, o visor registra uma quantidade, mas o bocal despeja um volume inferior no tanque. Para balizar a fiscalização, os técnicos utilizam a régua da Portaria Inmetro nº 227/2022: qualquer desvio que supere 0,5% (ou 100 ml a cada 20 litros) coloca o estabelecimento na mira de sanções severas. Além do volume, as equipes laboratoriais testam a pureza do produto, combatendo a mistura indevida de solventes ou excesso de etanol na gasolina.

O cerco jurídico para quem tenta lucrar sobre a ingenuidade do consumidor é asfixiante. Postos que apresentarem irregularidades na qualidade do combustível podem ser multados pela ANP em valores que chegam a R$ 5 milhões, correndo ainda o risco de terem suas autorizações de funcionamento revogadas permanentemente. Já as autuações do Inmetro, focadas na integridade do equipamento e na precisão metrológica, variam de R$ 100 a R$ 1,5 milhão.

Mais do que apenas aplicar multas, a operação busca a higienização do setor. Em casos de fraude confirmada, a interdição imediata e a apreensão de componentes eletrônicos servem como medida pedagógica contra a concorrência desleal. A ação reflete uma mudança de postura nas agências reguladoras, que agora utilizam inteligência de dados para selecionar as cidades com maiores índices de suspeitas, garantindo que o direito de pagar pelo que se recebe não seja apenas uma expectativa, mas uma regra técnica cumprida à risca.

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