A dinâmica hidrológica do Brasil voltou a jogar a favor do consumidor. Após um início de ano marcado por incertezas climáticas, a intensificação das precipitações na segunda quinzena de janeiro alterou o panorama energético nacional. O resultado prático dessa mudança de cenário foi oficializado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira: a manutenção da bandeira verde para o mês de fevereiro. Na prática, isso significa que a conta de luz seguirá sem as taxas extras que costumam onerar o orçamento doméstico em períodos de escassez hídrica.
A decisão baseia-se em um equilíbrio técnico orquestrado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com a elevação dos níveis dos reservatórios nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o país reduz a dependência das usinas termelétricas. Por operarem à base de combustíveis fósseis, essas fontes possuem um custo de produção significativamente mais elevado, o que dispara os gatilhos das cores amarela ou vermelha no sistema tarifário. Ao priorizar a força das águas, o Sistema Interligado Nacional (SIN) consegue manter a estabilidade de preços, refletindo uma gestão que aproveita a sazonalidade do período úmido.
Implementado há quase uma década, o mecanismo de bandeiras tarifárias funciona como um semáforo da eficiência energética. Ele traduz para o consumidor final, de forma direta, a complexidade dos custos variáveis de geração. Quando o cenário exige o uso de usinas térmicas, os chamados “patamares 1 e 2” da bandeira vermelha, o acréscimo pode chegar a R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Em fevereiro, entretanto, o sinal permanece no verde, indicando que as condições de oferta estão plenamente ajustadas à demanda sem a necessidade de sobretaxas.
O fôlego financeiro, contudo, tem data para ser reavaliado. O calendário da agência reguladora já prevê para o dia 27 de fevereiro a nova análise técnica que definirá o custo da energia para março. Até lá, o setor elétrico segue monitorando o comportamento das bacias hidrográficas, essencial para consolidar os valores que vigorarão no próximo ciclo tarifário, definido anualmente em abril. Por ora, o volume das chuvas garante não apenas a reposição das represas, mas também uma trégua necessária na inflação energética para residências e indústrias.





