O cenário cultural brasileiro amanheceu em tom menor nesta quarta-feira, 28 de janeiro. Nilton Guimarães, que o país aprendeu a reverenciar sob o nome artístico de Nilton César, encerrou sua trajetória aos 86 anos. Natural de Ituiutaba, Minas Gerais, o artista não foi apenas mais um rosto na multidão da Jovem Guarda; ele personificou a transição bem-sucedida entre o fervor do iê-iê-iê e a consolidação de um estilo romântico que dominou as rádios e os auditórios por décadas.
Sua jornada profissional começou precocemente em 1963, quando, aos 17 anos, trocou o interior mineiro pela efervescência do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, encontrou terreno fértil na Rádio Tupi e logo se viu inserido no núcleo duro da TV Record, dividindo holofotes com figuras como Roberto Carlos. Embora tenha estreado em disco em 1964 pela Continental, foi na virada da década que sua assinatura vocal atingiu o ápice do reconhecimento popular.
O divisor de águas veio com “Férias na Índia”. Gravada em 1969 e estourada no início dos anos 70, a canção ultrapassou a marca de 500 mil cópias vendidas, um feito astronômico para a época que lhe rendeu sucessivos discos de ouro. Nilton César possuía o raro talento de transitar entre gêneros sem perder a autenticidade, equilibrando a energia do rock inicial com a sensibilidade de baladas como “A Namorada que Sonhei” e “Professor Apaixonado”. Sua discografia, composta por cerca de 500 músicas, é um registro histórico de selos emblemáticos como RCA Victor e Copacabana.
Mesmo após seis décadas de estrada, o cantor resistiu ao anacronismo. Manteve-se ativo e relevante, realizando turnês nacionais e internacionais que provavam a longevidade de seu repertório. Nilton César não apenas interpretou canções; ele moldou o imaginário de uma geração que encontrou em suas letras o refúgio para os sentimentos mais cotidianos. Sua partida marca o fim de um capítulo dourado da música popular brasileira, mas sua obra permanece como um documento vivo da elegância melódica nacional.





