A saideira de luxo: Senado torra R$ 46 milhões com o retorno do “Vale-Champanhe”

​Enquanto o contribuinte recalcula o orçamento doméstico, 800 servidores da Casa Legislativa brindam a virada de ano com bônus que chegam a R$ 300 mil.

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No apagar das luzes de 2025, o Senado Federal decidiu que a austeridade é um conceito excessivamente cafona para os rituais de passagem de ano em Brasília. Em uma demonstração de agilidade técnica que raramente se observa na votação de reformas estruturais, a Casa liberou o pagamento de R$ 46 milhões em remunerações extras para um seleto grupo de aproximadamente 800 servidores. O benefício, carinhosamente apelidado de “vale-champanhe”, prova que, no ecossistema político brasileiro, certos privilégios possuem a resiliência de uma fênix.

O penduricalho em questão já havia percorrido um longo caminho de controvérsias, sendo inicialmente questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e alvo de um veto presidencial que tentava estancar a sangria do erário. Contudo, os senadores, em um surto de generosidade com o erário público, articularam a derrubada do veto, garantindo que o brinde luxuoso retornasse ao contracheque de seus subordinados. De acordo com informações do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), a farra foi tamanha que houve profissional recebendo vultuosos R$ 300 mil além do próprio salário nos últimos dias do ano.

A engenharia financeira para viabilizar esse banquete de bônus revela um cinismo matemático peculiar. Para garantir a legalidade da derrubada do veto, o Senado não hesitou em contratar um escritório de advocacia externo, desembolsando cerca de R$ 4,6 milhões em honorários advocatícios, conforme aponta o próprio Portal da Transparência. Na prática, o Estado gastou quase 5 milhões de reais apenas para assegurar o direito de gastar outros 46 milhões. É a institucionalização do desperdício, onde a transparência serve menos como ferramenta de controle e mais como uma vitrine da audácia legislativa.

​No fim das contas, a mensagem enviada à nação é de uma clareza cortante. Enquanto o país discute cortes de gastos e responsabilidade fiscal, o topo da pirâmide burocrática se protege em uma bolha de gratificações que ignoram a realidade econômica do lado de fora do Congresso. O “vale-champanhe” não é apenas um erro contábil ou uma despesa acessória; é o símbolo de uma elite que, ao contrário do cidadão comum, nunca precisa se preocupar se haverá algo para celebrar no dia seguinte.

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