De volta às bases: Eduardo Bolsonaro reassume posto na Polícia Federal após fim de mandato

​Sem foro privilegiado e fora do Congresso, ex-parlamentar é convocado pela Diretoria de Gestão de Pessoas para retomar funções funcionais no Rio de Janeiro

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O figurino político de Brasília dá lugar, novamente, ao distintivo e à rotina institucional. Nesta sexta-feira (2), a Polícia Federal formalizou o encerramento do hiato administrativo de Eduardo Bolsonaro, determinando sua reapresentação imediata aos quadros ativos da corporação no Rio de Janeiro. A decisão, consolidada por meio de um despacho da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), encerra oficialmente o período de licença para atividade política que afastou o agente de suas funções originárias ao longo dos últimos mandatos.

Diferente do rito legislativo, pautado por articulações e holofotes, o processo de reassunção é estritamente técnico e compulsório. O ato declaratório emitido pela DGP não representa uma escolha discricionária da cúpula da PF, mas sim o cumprimento rigoroso do estatuto do servidor público. Com a vacância da cadeira na Câmara dos Deputados, o vínculo jurídico com o Estado deve ser restabelecido de forma automática, sob pena de sanções administrativas que podem chegar ao enquadramento por abandono de cargo.

O retorno do ex-deputado à Superintendência Regional fluminense ocorre em um cenário de transição tanto pessoal quanto jurídica. No ambiente da corporação, Eduardo Bolsonaro deixa de orbitar o centro do poder legislativo para se reinserir na hierarquia da Polícia Federal, voltando a responder aos deveres e obrigações previstos na Lei 4.878/65. A mudança implica não apenas a retomada dos vencimentos de agente, mas também a submissão aos regulamentos disciplinares que regem a conduta de policiais civis da União, o que inclui restrições específicas sobre manifestações políticas públicas no exercício do cargo.

Embora o despacho seja um trâmite burocrático de rotina para qualquer servidor licenciado, o peso simbólico do movimento é inescapável. Eduardo, que consolidou sua imagem pública como um dos principais expoentes da pauta de segurança e armamento no Congresso, agora se vê operando dentro da estrutura que, nos últimos anos, foi o epicentro de intensos debates sobre autonomia e blindagem institucional. A reintegração exige, por natureza, uma adaptação à neutralidade operacional exigida pela carreira, testando a convivência entre o perfil ideológico combativo do ex-parlamentar e o rigor técnico que a função policial demanda.

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