Lei seca emergencial: Metanol interrompe festividades em Ribeira do Pombal (BA)

​Após confirmação de sete casos de intoxicação grave por bebidas adulteradas, prefeitura decreta proibição de destilados e Ministério da Saúde envia antídotos à Bahia.

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O que deveria ser um período de celebração e transição de ano em Ribeira do Pombal, na Bagia, transformou-se em uma operação de guerra sanitária. A gestão municipal, sob o peso de laudos laboratoriais que confirmaram a presença de metanol em bebidas destiladas e em amostras biológicas de pacientes, radicalizou a postura de proteção à vida. O novo Decreto nº 081/2025 estabeleceu um hiato seco na cidade, proibindo a venda e o consumo de qualquer bebida destilada até o dia 5 de janeiro de 2026.

A crise teve um marco dramático: uma festa de noivado que terminou em unidades de pronto-atendimento. Atualmente, sete pessoas lutam contra os efeitos de uma substância que, ao ser processada pelo organismo humano, torna-se altamente corrosiva ao sistema nervoso e aos órgãos vitais. O cenário clínico é sensível, com três pacientes em estado grave e transferências estratégicas para centros de alta complexidade em Salvador, visando o suporte que a gravidade do envenenamento exige.

A resposta logística do Governo Federal não tardou. Na última quarta-feira, um lote emergencial de 100 ampolas de etanol farmacêutico desembarcou em solo baiano. O uso do etanol como antídoto não é uma ironia química, mas uma estratégia de competição metabólica: ao “ocupar” o fígado com o álcool seguro, o corpo ganha tempo para expelir o metanol antes que ele se transforme em ácido fórmico, o real agente de cegueira e falência múltipla de órgãos.

Nas ruas da cidade, a fiscalização ganhou contornos de força-tarefa. A Vigilância Sanitária e a Guarda Civil Municipal patrulham desde grandes estabelecimentos a comércios ambulantes, com a prerrogativa de apreensão imediata e interdição de locais que ignorem a restrição. A medida, embora severa para a economia local de final de ano, fundamenta-se no princípio jurídico da precaução. Não se trata apenas de uma proibição comercial, mas de uma barreira física contra o avanço de um produto clandestino que circula silenciosamente em garrafas aparentemente comuns.

A expectativa agora recai sobre a rastreabilidade desse lote contaminado. Enquanto a Secretaria Municipal de Saúde monitora a curva de novos casos, a população vive uma virada de ano atípica, onde a sobriedade forçada é, no momento, a única garantia de sobrevivência.

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