Brasília vive um fenômeno físico fascinante (?): o tempo por lá parece correr em uma dimensão onde a urgência é um conceito meramente decorativo. Na última terça-feira (16), enquanto o Palácio do Planalto tentava montar uma operação de guerra para estancar a sangria da violência contra a mulher, as duas peças-chave do tabuleiro legislativo, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, descobriram que suas agendas estavam terrivelmente comprometidas.
É de uma sensibilidade ímpar. Imagine o drama: de um lado, mulheres sendo assassinadas por serem mulheres; do outro, um coquetel inadiável ou uma reunião de bastidor para decidir quem herda qual diretoria. Entre a vida das brasileiras e o “beija-mão” institucional, o protocolo da conveniência venceu por W.O.
A justificativa de “incompatibilidade de agenda” é a maior obra de ficção da política nacional. É o “não é você, sou eu” do poder público. Traduzindo do baleiês de Brasília para o português claro: “não gera capital político imediato, então a gente manda um assessor e diz que está muito ocupado salvando a República”.
Lula (PT): Acendeu o sinal de alerta, convocou a cúpula, mas acabou pregando para convertidos e cadeiras vazias.
Motta e Alcolumbre: Deram um novo significado ao termo “distanciamento social”. Estão tão distantes da realidade que a violência doméstica parece apenas um detalhe estatístico no meio de suas planilhas de poder.
É disruptivo notar como o Congresso Nacional consegue votar aumentos e fundões com a velocidade da luz, mas trava na hora de sentar à mesa para discutir por que o Brasil continua sendo um matadouro de mulheres. Talvez o problema seja a falta de um “Lobby das Vítimas”. Se o feminicídio pagasse dividendos ou tivesse uma bancada com fundo partidário, Alcolumbre e Motta provavelmente teriam chegado ao Planalto meia hora antes do café ser servido.
No fim das contas, a mensagem que fica é clara: o combate à violência de gênero é uma pauta excelente para o Twitter e para o período eleitoral. Na vida real, aquela que acontece fora dos gabinetes acarpetados, a agenda dos “donos do Brasil”(como assim, Biau?) está sempre cheia demais para salvar quem não tem cargo nem foro privilegiado.
No frigir dos ovos…ovos que não valem.
Eu diria: ESCROVOS…affff





