O Palácio do Planalto intensifica as tratativas políticas para dissipar a atmosfera de tensão com o Congresso Nacional, buscando garantir a votação de projetos prioritários antes do recesso parlamentar, marcado para 23 de dezembro. A recente efervescência política entre os Poderes foi impulsionada por fatores diversos, desde divergências na escolha de indicados a cargos estratégicos até o acirramento das relações interpessoais entre lideranças.
No Senado, o mal-estar atingiu o ápice com a indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha presidencial não se alinhou aos desejos de parte da cúpula da Casa, notadamente o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que apoiava outro nome. Essa insatisfação se manifestou em atos concretos do Legislativo, como a derrubada de vetos à Lei de Licenciamento Ambiental, uma pauta delicada para a agenda governamental e o avanço de propostas de impacto fiscal, apelidadas de “pautas-bomba” pelo Executivo.
Na Câmara dos Deputados, a ruptura se deu no campo da comunicação e confiança. O desentendimento público entre o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve como um dos pontos nevrálgicos a tramitação do PL Antifacção. Esse episódio ilustrou a fragilidade do diálogo entre líderes-chave, complicando a coordenação da base governista. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, buscou reativar o canal com Hugo Motta, demonstrando a urgência do Planalto em reatar os laços.
Apesar do clima turbulento, fontes próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva veem o pior momento da crise como superado. A estratégia governamental agora é focar no essencial: o avanço das pautas econômicas e sociais cruciais para o fechamento do ano. A lista de projetos entregue pela ministra Gleisi Hoffmann a Hugo Motta, na última quarta-feira (26/11), representa o esforço final para converter a instabilidade em resultados legislativos.
Entre as matérias de interesse do governo, destacam-se pontos importantes para a organização fiscal e o crescimento econômico, como a regulamentação da reforma tributária (no tocante à criação do Comitê Gestor do IBS), e o avanço em propostas que visam a ampliação da isenção do Imposto de Renda (para quem ganha até R$ 5 mil). Há também o desafio de lidar com a PEC da Segurança Pública, que emerge como um novo ponto de potencial atrito. A habilidade do Executivo em negociar e articular consensos nos próximos dias será determinante para o saldo final de 2025.





