O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acionou a Prefeitura de Cubati, no Agreste do estado, recomendando a anulação imediata de um concurso público realizado recentemente, sob a forte suspeita de manipulação e favorecimento político. O inquérito civil que motivou a ação revelou uma lista de aprovados em posições estratégicas que inclui a vice-prefeita, secretários municipais, uma vereadora e diversos familiares de membros da cúpula gestora, configurando um potencial conflito de interesses de graves proporções.
A vice-prefeita, Heline Fernanda, foi classificada em primeiro lugar para a vaga de Orientador Educacional. O cenário de potencial fraude se aprofunda com a aprovação, na segunda colocação para o mesmo cargo, da vereadora Thatyanne Cordeiro Silva, que é esposa do presidente da banca examinadora do certame.
Além da cúpula política, a investigação do MPPB identificou outros nomes ligados diretamente à administração municipal. A lista de aprovados inclui:
Diversos secretários municipais e adjuntos.
Familiares diretos, como a sobrinha do prefeito, que obteve aprovação dentro do número de vagas para Auxiliar Administrativo.
Outros parentes, como o marido da secretária de Finanças e o filho do secretário de Meio Ambiente.
Tais constatações foram classificadas pelo órgão ministerial como um sinal evidente de burla aos princípios da impessoalidade e moralidade pública, essenciais em qualquer processo seletivo para provimento de cargos.
Diante da repercussão, a vice-prefeita Heline Fernanda se pronunciou, negando qualquer tipo de favorecimento. Em nota pública, a gestora alegou ter uma “trajetória construída com mérito e dedicação aos estudos”, colocando-se à disposição para colaborar com a investigação.
O Ministério Público concedeu um prazo de dez dias para que o prefeito de Cubati preste esclarecimentos e informe detalhadamente as providências adotadas em relação à recomendação de anulação. O órgão reforça que, caso as irregularidades sejam confirmadas, qualquer nomeação já efetuada será considerada nula de origem, afastando o argumento de direito adquirido.
A prefeitura e a banca organizadora do concurso ainda não se manifestaram oficialmente sobre as medidas que serão tomadas para restaurar a integridade e a confiança no processo seletivo.





